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Minha primeira Meia Maratona

29.07.2015

De antemão já aviso: o post tá grande. Mas antes de reclamar, lembre-se: vou falar sobre uma meia maratona. 21km. E eu corri. Poxa, esperava que o texto fosse pequeno?

 

A primeira palavra que falei quando bebê foi meinha (meia, no diminutivo). Na verdade, "mein". Exatamente isso que minha mãe escreveu no meu Livro do Bebê. Mineiro é assim mesmo, corta o fim das palavras (no meu caso, desde a primeira da minha vida). Sinto que naquela época meus pais pensavam que a minha interação com as meias não fosse passar de sujar, furar e perder. Nunca passaria pela cabeça deles que um dia eu correria uma meia. Nem na minha, pra ser bem sincera.

Vou deixar para falar da preparação da prova, desde que eu fiz a inscrição em janeiro, pra um futuro post específico com "Dicas que você não deve seguir para se preparar pra uma meia maratona". Porque eu fiz tudo errado. Então vou direto para a véspera e a prova em si.

Cheguei no Rio no sábado de manhãzinha, com a intenção de aproveitar o dia na cidade e descansar antes da corrida. Encontrei com os três gajos (tradução PT-PT - PT-BR: homens, é porque eles são de Portugal), também meio maratonistas de primeira viagem, que correram a prova comigo e fomos pegar o kit. Na boa, a organização podia ter avisado que já era pra ter ido com o tênis de corrida. 2km de fila em mais de duas horas para conseguir retirar a bolsinha verde com o passaporte pros 21km. O aquecimento começou um dia antes. A ideia de aproveitar o dia no Rio não deu muito certo. Descansar também não.

Como nenhum de nós tinha corrido essa distância antes, ao longo do sábado surgiram MUITOS questionamentos. O que comer hoje? O que comer amanhã? Vaselina? Meia de compressão? Gel de carboidrato? Quantos? Frequencímetro? Com música? Sem música? Caramba, quanta coisa pra decidir. Fizemos da revistinha que entregaram com o kit a nossa Bíblia e acatamos quase tudo que estava escrito lá.

Pra tentar aumentar um pouco a segurança sobre o percurso, decidimos fazer o trajeto da corrida de carro. Pra quem não sabe, a Meia Maratona começa na Barra da Tijuca (Praia do Pepê) e vai até o Aterro do Flamengo. Eu lembrava que já tinha ido de Copacabana até a Barra, no Carnaval, e a “viagem” durou tempo o suficiente pra eu quase dormir no táxi. Passamos por túneis, subidas, descidas. Acho que fiquei mais insegura do que segura depois de saber o que me esperava no dia seguinte. Completamos o trajeto e chegamos à conclusão: DE CARRO era longe. A frase que resume tudo: “Tem chão”.

O sábado passou tão rápido que de repente eram onze horas e já tinha passado da hora de estar na cama. Mal dormi, devo ter acordado umas 4 vezes durante a noite, com sonhos nada a ver. Haja ansiedade. Acordei pra valer às 5 da manhã, já que a largada era SEIS E MEIA (!), pra tomar café, que na verdade foi um Toddynho (companheiro de aventuras!), comer um misto, castanhas e banana pra evitar câimbras. Estômago cheio, roupa trocada, número no peito, partiu Praia do Pepê.

Chegando na avenida da largada, a primeira parada foi no banheiro. Não dá pra correr com a bexiga cheia, fato. Por isso, a passada nos temidos banheiros químicos antes de começar a corrida é indispensável. Digo temidos porque um dos maiores medos da minha vida é o banheiro químico virar enquanto eu estiver lá dentro. Fora que o estado em que você vai encontrá-lo é sempre uma loteria. Em corridas então, a soma de um turbilhão de emoções (ansiedade, empolgação, adrenalina a mil) + não-segui-as-recomendações-de-comer-comidas-leves-e-que-estou-acostumado-na-véspera-da-prova resulta em coisas não muito agradáveis de se ver e sentir o cheiro. Espero realmente que as pessoas que utilizaram o banheiro antes de mim tenham conseguido concluir a prova. Acho que elas não estavam muito bem.

Recuperada o trauma do banheiro, hora de me unir ao imenso grupo de pessoas atrás da largada. Em poucos momentos na minha vida percebi um sentimento de união tão forte. Milhares de pessoas juntinhas, parecendo sardinhas em lata. Até que surgia um espaçoso dando uns pulos e jogando a perna pra frente pra alongar, acertando umas 3 pessoas com os movimentos.

Nessa hora a gente consegue observar uma amostra das milhares pessoas que também vão encarar o desafio. Tem homem vestido de homem aranha? Tem. Tem pais com carrinhos de bebê e seus filhos fofos? Tem. Tem velhinhos de 84 anos? Tem. Tem gente com pau de selfie? Tem. Conclusão: “Tem chão”, e também “Tem gente”.

 

 Eu, os gajos (essa palavra é muito engraçada), o Homem-Aranha e o The Flash, que apareceram na nossa foto SEM a gente pedir, juro.

 

Chegando perto da largada, 45 minutos depois de ela ter iniciado (tinha MUITA gente), já preparei meus aplicativos de monitoramento no celular e liguei a música. Fiz uma playlist no Spotify, mais eclética que playlist de festa de casamento de gótico com pagodeira, e taquei no shuffle. A música da largada tinha uma buzina inconfundível e... PRE-PARA:

Achei propício pro momento. Confesso que a Anitta aumentou minha confiança.

 

Então a prova começou. O trajeto já feito de carro apresentou algumas surpresas. Um túnel foi iluminado com luzes de balada e sonorizado com música eletrônica. DISPAREI nessa hora. Acho que se a prova toda fosse nesse formato eu teria chegado zonza no final, mas acabaria uns 20 minutos antes. A subida do Vidigal era pior de carro, mas ainda assim nessa hora interpretei o Burro do Shrek e não conseguia parar de perguntar “a subida já acabou?”, “mas já tá acabando?”, “mas já vai acabar?”. Ufa.

No Leblon uns doidos estavam saltando de paraquedas de um hotel até a orla da praia. Do jeito que sou azarada, já tava vendo a hora em que um paraquedista mal-sucedido desembestado ia cair bem em cima de mim. Nenhum acidente aconteceu, ainda bem.

Nas praias da zona sul (Leblon, Copacabana e Ipanema), o número de pessoas aumentou bastante, o que criou oportunidade para as maiores pérolas que já escutei enquanto corria. A “torcida” nos incentivava com palavras animadoras e algumas das respostas foram: "O primeiro já passou faz tempo?", "É por vocês que eu corro!", “Te dou minha camiseta no final”. Se esse tipo de resposta já é inesperado, imagine então escutá-las com sotaque português de Portugal. Era mais engraçado ainda, até perdia o ritmo de tanto rir.

Nesse clima de descontração todo, os quilômetros foram passando de uma forma mais tranquila do que eu esperava. Os três últimos foram os piores. Deu vontade de abraçar a placa dos 20km quando a vi. E aí veio a maior sacanagem da organização: a linha de chegada estava DEPOIS DE UMA CURVA. Ou seja: passei a placa dos 20km, corri, corri mais um pouco, comecei a sentir músculos que não sabia que existiam e nada da maldita chegada aparecer. Parecia que era pegadinha.

Mas, apesar de estar quase morrendo, tirei forças não sei de onde e ainda dei um sprint final nos últimos 300m, porque minha vitória estava valendo um chopp. Colocou bebida no meio, o negócio fica sério. E eu ganhei (por um segundo). RÁ. Honrei a primeira palavra que falei na vida e terminei minha primeira meia maratona em 2h05min54s com muito suor, dor nas coxas e risadas.

2ª revisão do Resultado Geral da Meia Maratona

 

Uns 10 minutos depois que cheguei,  primeira mulher completou a MARATONA (!!!). Admiro. Um dos pais com carrinho de bebê chegou também, disse que a filha dormiu o trajeto inteiro quase. O Homem-Aranha também chegou. Mais um tempinho, um cara pediu a namorada em casamento quando os dois cruzaram a linha de chegada. Depois eu falo que acontece de tudo nessas corridas e ainda tem gente que não acredita.

Tenho certeza que escolhi a prova certa pra estrear meus primeiros 21km (a paisagem não tem igual), na hora certa (tive o tempo necessário pra me preparar) e com as companhias certas (e olha que não era o plano inicial e nós 4 nunca tínhamos corrido juntos!). Ainda estou absorvendo o que foi essa conquista, mas a sensação de que eu sou capaz de fazer coisas que nem eu mesma esperava, e superar meus limites, é inexplicável. A gente se sente meio invencível sabe? Esse sentimento de invencibilidade passa até que aparece a primeira escada depois da corrida, mas tudo bem. Valeu muito a pena. E se eu consegui, você também consegue.

 

Ah, por último mas não menos importante, fica a dica pra quem vai encarar provas em outras cidades: guarde os alfinetes do número de peito. Você nunca sabe quando vai precisar deles para fechar sua mala que teve o zíper estourado bem na hora de voltar.

Era uma vez uma malinha boliviana.

 

Tem coisas que só acontecem comigo.

 

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Aproveito a oportunidade pra agradecer TODO mundo que me motivou, torceu por mim e participou dessa conquista nem que seja com uma palavrinha de incentivo. Tem hora que nem a gente acredita que é capaz de correr tudo isso, e ouvir "você consegue", ou mesmo "você é doida", motivam a ir atrás e tentar. MUITO OBRIGADA. :)

 

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