© 2023 por Fazendo Barulho. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook Clean Grey
  • Instagram Clean Grey
  • Twitter Clean Grey
  • YouTube Clean Grey

Relacionamentos e corridas no parque

13.10.2015

Já faz um tempo que reparei em alguns casais correndo juntos no parque e comecei me indagar sobre como eles tinham chegado até ali. Eu sei que eles podem ter ido ao parque de carro, andando, correndo, de patinete, mas não é essa a questão. A cada passo, um devaneio, e na minha visão um pouco engenheirada da vida, percebi que alguns fatores que influenciam a corrida também influenciam os relacionamentos. Depois de certo estudo, algumas cervejas e muitas conversas sobre o assunto, lhes apresento as variáveis que levam pessoas a se conhecerem e correrem juntas (ou não) e a minha teoria de que relacionamentos são como corridas no parque.

 

O Caminho

 

Esse é o mapa do Ibirapuera. Quantas curvas esse parque tem? Fiquei até com preguiça de contar. Virar à direita ou à esquerda? Volta longa ou volta curta? Considero cada curva desse percurso como uma escolha que fazemos na vida. Desde as decisões mais simples como a que horas sair para comprar pão na padaria, e em qual padaria ir, qual ônibus pegar para ir ao trabalho, qual a balada ir no fim de semana, até as questões mais complexas da vida como qual carreira buscar, querer ou não ter dois filhos e um cachorro, se mudar para a Califórnia e viver a vida sobre as ondas, decidir ser um monge budista ou uma voluntária na África. Em todos os momentos do dia, escolhemos o caminho que queremos tomar, e em cada caminho desses, pessoas aparecem e desaparecem das nossas vidas. O vendedor de água de coco, a adestradora de cães, o skatista, a patinadora e por aí vai.
Milhares de pessoas passam por nós nessa longa estrada da vida, por algum motivo nossos caminhos se encontraram. Pode ser que essa trombada resulte em um rápido encontro e depois cada um siga para o seu lado. Ou então, que durante a trombada um perceba o outro, e continuem correndo na mesma direção. Eis que surge...

 

O Sentido

De nada adianta você estar na mesma pista que o suposto amor da sua vida se ele nem consegue ver aonde você quer chegar porque dá as costas para isso. Opostos se distraem e os dispostos se atraem, já dizia o Teatro Mágico. Não acredito que as pessoas tenham de ser iguais para viver uma relação a dois em harmonia, aliás isso seria um tanto chato, mas interesse mútuo, admiração pelo outro, tolerância e vontade para entender e aprender com o outro são essenciais para que as diferenças sejam algo que aproxime e não afaste os dois. Pessoas em sentidos opostos podem até se atrair, mas brigas homéricas por coisas relativamente "pequenas" como o fato de que ele não suporta sertanejo e ela é a fã numero 1 do Jorge e Mateus podem ser o início do fim dessa caminhada a dois.

 

Beleza.  Você encontrou uma pessoa legal, aparentemente conseguem enxergar a mesma linha de chegada, mas existe um fator muito importante que diferencia esta pessoa de um parceiro para um tiro de 100 metros de um parceiro para uma ultramaratona... 

 

O Ritmo

Certa vez uma amiga conheceu um cara na balada. Conversaram a noite toda, tinham muitas coisas em comum, o papo fluiu, trocaram beijos e, depois, telefones. No dia seguinte, ele mandou mensagem. Continuaram o papo animado da noite anterior via Whatsapp, até que ele abriu o coração e falou algo não tão comum de se ouvir quando você conhece a pessoa há apenas um dia: "Quero te ver hoje de novo, tô com saudade". S-A-U-D-A-D-E. Ela desconversou, o papo morreu, não se viram, nunca mais se falaram. Ele estava errado? Não. Ela estava errada? Não. O que dá pra perceber é que ele arriscou, deu todo o gás que tinha, correu seu quilômetro mais rápido e a minha amiga, bem... acho que ela só queria caminhar devagarinho. Uns dois meses depois, descobrimos que ele já estava comemorando o dia dos namorados com a nova namorada, em Paris. Ele encontrou alguém que corre no mesmo ritmo que ele, ótimo. Minha amiga, pouco depois, também encontrou um cara com quem conseguiu caminhar junto, devagarinho, por um tempo.

 

Muitas vezes nem nós mesmos sabemos a que ritmo queremos correr quando vamos correr sozinhos. Em um dia de muita animação, encarnamos o Bolt. Em um dia um pouco cansados, vamos a passos de formiga e sem vontade. Para encontrar o ritmo a dois, tem que ter treino a dois. À medida que um conhece mais o outro, o ritmo fica confortável para ambos e também fica um pouco mais fácil perceber quando é hora de puxar a outra pessoa pra frente, esperá-la porque o cadarço desamarrou, desacelerar porque precisa respirar um pouco, ou correr para bater o recorde do casal. E com isso, juntos, conseguem passar por diversas provas mesmo que tenha chuva, sol, subidas íngremes e tropeços... e o contador da quilometragem dessa corrida com companhia só aumenta. 

 

Se você tem a sorte de, no meio de tantos caminhos, sentidos e ritmos, ter encontrado seu parceiro de corrida, fica aqui o meu conselho nas palavras do Chorão, do Charlie Brown Jr.:

 

"Cuide de quem corre do seu lado e quem te quer bem, essa é a coisa mais pura"

 

Algumas pessoas ficam para trás. Escolhem outro caminho, mudam o sentido, disparam na nossa frente ou, simplesmente, param. E nós continuamos correndo, buscando novos caminhos, uma linha de chegada diferente, testando ritmos mais rápidos e mais lentos, nos conhecendo cada vez melhor. Pode ser que apareça alguém novo na próxima curva, pode ser que não. O importante é aproveitar a corrida tanto sozinho quanto acompanhado.

 

E sempre corrindo :)

 


 

Please reload

Modalidades