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Eu queria correr, mas...

10.12.2015

Não tenho tempo, tá muito quente, tá muito frio, acho que vai chover, já tá chovendo, tá muito sol, minha cama tá tão boa, é muito cedo, é muito tarde, na hora do almoço não dá, minhas pernas vão doer, amanhã eu vou, já não fui ontem mesmo, semana que vem eu começo, mês que vem vai, ano que vem certeza, fica de meta pra 2016, não tenho roupa, preciso comprar um tênis, é muito caro, não tenho dinheiro, ainda tô com sono, tô cansado, vou me cansar muito, tô de barriga vazia, agora comi demais, hoje tem happy hour, vou jantar com meus pais, justo hoje ele me chamou pra sair, tem balada mais tarde, tô de ressaca de ontem, capotei, tô viajando, esqueci o tênis, você sabia que um cara morreu correndo? meu cachorro tá doente, vai passar aquele filme legal na TV, saiu o episódio novo daquela série, não dá pra perder a novela hoje, tenho prova amanhã, tenho que acabar aquele maldito relatório do trabalho, é bem na hora que busco meu filho na escola, minha amiga desistiu de ir comigo, não aguento nem 5 minutos, não dou conta nem de 1 quilômetro, não tenho fôlego, não gosto de esteira, não s-u-p-o-r-t-o esteira, a rua é muito desnivelada, não gosto de ir sozinho, não sei como começar, não tem nenhum lugar perto de casa, tem muita subida perto de casa, é só descida perto de casa, nessa hora é muito vazio, aqui é muito movimentado, o Mercúrio tá retrógrado, acabou a bateria do celular, perdi meu fone de ouvido, meu tênis tá lavando, o parque é longe, essa região é perigosa, tô muito gordo, já sou muito magro, eu não consigo.

Que atire a primeira pedra quem nunca usou uma desculpa dessas para não ter corrido. Eu mesma já usei várias. Ás vezes me surpreendo com a capacidade (e criatividade) que temos para justificar coisas que não aconteceram. A frase começa no pretérito, seguida de um "mas...", pronto. É difícil largar esse hábito sendo que fomos condicionados a sempre ter uma justificativa desde pequenos, eu sei. A professora da 1ª série cobrava pelo dever de casa em branco e já tínhamos no gatilho a clássica  “meu cachorro comeu”. Na verdade o bicho de estimação da casa era um inofensivo sabiá. Ela nunca saberia, né? Conseguimos enganá-la e evitar uma bronca, ótimo.

Já faz uns bons anos que conheci um texto do Roberto Shinyashiki (vale a leitura, aliás) e não me esqueci da mensagem principal até hoje: quem quer arranja um meio, quem não quer arranja uma desculpa.  A essa altura da vida, temos livre arbítrio para escolher o que fazer na hora em que bem entendemos e tomar nossas próprias decisões. Não existe mais a professora da primeira série para cobrar o treino não feito. Ninguém é obrigado a querer correr ou gostar da corrida. Tem dia que não dá vontade MESMO. Então, assuma sem culpa suas vontades, tome sem culpa suas decisões e pare de buscar uma desculpa em fatores externos. Ao fazer isso, o  enganado da história agora é você.

Não sei como é a região em que você mora, nem sei das suas condições financeiras, físicas ou como é sua rotina. Mas a não ser que a sua justificativa para não correr seja uma lesão ou recomendação médica (nesse caso, respeite isso!), aposto que consigo te ajudar a encontrar alternativas a qualquer uma dessas desculpas. Antes, só me responda sinceramente uma pergunta: você quer?

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