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SP City Marathon 2017, na torcida

03.08.2017

Você já pensou em ir para uma corrida SÓ para assistir? Não tô falando de Maratona Olímpica ou alguma prova de cunho mundial que passe na TV. Uma prova "normal", com gente comum, igual a gente? Imagino que não. Para nós, corredores, o padrão da participação na prova é participar correndo. Vez ou outra temos a companhia de algum amigo, parente, cônjuge, contatinho, ou o que seja, na torcida, pedimos que eles compareçam, mas nós mesmos não fazemos isso. Sem generalizar, eu nunca tinha feito. E já me arrependi de não ter feito isso antes =) Sempre fiz meus relatos das provas que corri, hoje vou contar como foi a primeira prova que eu só assisti.

No domingo passado, aconteceu a SP City Marathon, corrida do circuito Run Cities, da Iguana, que já entrou no calendário dos corredores para ficar. Não tinha me planejado para correr a prova (e seus percursos de 21km ou 42km), não me inscrevi, mas estava em São Paulo. No sábado à tarde tive um click: Poxa, se eu estou aqui fazendo vários nadas, bem que eu podia dar um pulinho na torcida e incentivar um pouco essa galera guerreira. Sempre falam tanto que o triste das maratonas do Brasil, comparadas às maratonas no exterior, é que aqui não temos torcida nenhuma... vou fazer meu papel para mudar isso.

A ideia começou a criar volume. Resolvi fazer um cartaz engraçado, afinal de contas esse é sempre o meu principal objetivo com o Vou Corrindo: correr e dar risada! =D E também quis levar algumas comidinhas úteis para maratonistas (jujubas e Coca-cola, dicas do Nick). Teria sido tranquilo fazer o cartaz se eu não tivesse decidido fazer isso no sábado às oito da noite. O desafio e a empolgação em fazer tudo isso, sabe-se lá pra quem (eu pessoalmente não tinha ninguém próóóximo correndo a prova), só aumentaram. No fim das contas, consegui cartolina, fiz um corretivo de tinta para escrever e comprei os snacks que queria =D. A inspiração do cartaz veio daqui: 23 Cartazes engraçados em corrida de rua

A ideia inicial não tinha a palavra "CARO" mas coube tão bem no espacinho que sobrou!! hahaha

 

Acordar cedo no domingo não foi fácil. Me perguntei umas 42,195 vezes na cama "será que eu vou mesmo fazer isso? vai valer a pena para quê? para quem?"... Aí pensei que o pessoal já tava correndo desde às 6 da manhã e pulei da cama. Cheguei na USP, me perdi, dei a volta e saí da Cidade Universitária, voltei, achei um lugar para estacionar e resolvi ir a pé até o ponto que queria. Me planejei para ficar no km 30/38, junto com a estrutura da Quark, minha assessoria queridaa, na USP, mas no fim das contas graças a uma foto de Instagram eu vi que a Gisele, minha amiga dos tempos do Somos Bravas, também estaria lá para torcer e montei acampamento com ela. Até encontrá-la, fiquei tímida de ir carregando tudo que eu tinha comprado e levei só o cartaz, mas tá valendo! Mais tarde chegaram também a Su e o Paulo, namorado dela (que correu os 21!!!), para incorporar o time, esperar as amigas que iam passar e torcer para milhares de desconhecidos.

Plantei minhas pernas na frente da placa dos 30km e a alegria começou. 

A cada pessoa que chegava mais perto da cartolina escrita "SORRIA, você pagou caro por isso" a reação era diferente. A maioria das pessoas riam. Outras comentavam concordando com o que o letreiro dizia: "É VERDADE!!!". Outras agradeciam por eu estar lá, batiam na minha mão, pediam para tirar fotos comigo ou que eu tirasse delas. Dei muita risada, junto com todo mundo. Provocava o sorriso, dava parabéns, incentivava com um "vamoooooo". Valia de tudo para descontrair um pouquinho esse momento de tanto esforço. Sente só como foi:

Corredores desconhecidos, identifiquem-se!!! =)

 

Não sei se fez a diferença para algum dos corredores, mas a diferença que fez pra mim já valeu meu dia. Toda dor no braço de segurar o cartaz, o fato de ter acordado cedo "sem precisar" não se comparam à dedicação e esforço dos corredores que passaram por mim. Eu estava lá por vocês, e num tom um pouco mais egoísta, por mim também.

Estava insegura do meu plano de longo prazo de um dia correr uma maratona. Esse domingo foi um divisor de águas. Eu SEI que quero passar por isso um dia. Quero ser eu correndo, passando pelo km30, vendo alguém com um cartaz na mão torcendo por mim. 

À medida que o volume de corredores que passava por ali, diminuiu, a Hiuna e a Carol passaram por lá, as meninas foram para o Jockey e eu saí para fazer meu treino na USP. Corri 7 quilômetros no meio do percurso (juro que não tomei nem água para não ser taxada de pipoca aproveitadora de estrutura hahaha), nada perto dos 21km nem dos 42km mas eu nem tinha me deslocado até lá para correr, minha cabeça estava em transe com tudo que vi, então considero uma vitória ter completado os 7k! Hahaha! 

Voltei pra casa com um sentimento de missão cumprida que há teeeempos eu não sentia. Uma gratidão enorme. E satisfação pelo que eu fiz também.

Vamos fazer um pacto de ir torcer sempre que der? Mesmo sem conhecer ninguém que está correndo? Vamos mudar essa imagem de que provas no Brasil não têm torcida?

Aposto que assim cada vez mais pessoas vão corrindo (de verdade!) e terão lembranças ainda mais especiais dessas corridas tão marcantes. Porque torcendo a gente não "só" assiste... a gente corre junto!

 

Conto com você! :)

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